Mudanças que ajudaram o cérebro humano a desenvolver linguagem e pensamentos complexos também podem ter aumentado sua vulnerabilidade às alterações relacionadas ao autismo, sugere estudo.
O cérebro humano ganhou, ao longo de milhões de anos, uma capacidade extraordinária de conectar informações, aprender palavras, interpretar símbolos e transformar experiências em pensamentos cada vez mais complexos. Essas habilidades ajudaram nossa espécie a produzir linguagem, cultura e formas sofisticadas de cooperação.
Essa transformação, entretanto, pode ter vindo acompanhada de uma vulnerabilidade.
Um estudo que comparou diferentes tipos de células cerebrais em humanos e outros animais identificou uma população de neurônios que parece ter evoluído de maneira excepcionalmente rápida depois que a linhagem humana se separou da dos chimpanzés.
Essas células são abundantes no córtex cerebral, conectam diferentes regiões do cérebro e apresentam uma característica particularmente relevante: nelas, vários genes relacionados ao autismo têm níveis de atividade menores em humanos do que em outras espécies.
A descoberta levou os pesquisadores a apresentar uma hipótese provocativa. Algumas mudanças genéticas que contribuíram para tornar o cérebro humano diferente podem também ter aumentado sua sensibilidade às alterações associadas ao transtorno do espectro autista.
Isso não significa que o autismo seja uma etapa superior da evolução, que todas as características humanas tenham surgido por causa dele ou que exista um único “gene do autismo”. O estudo tampouco demonstra que a evolução cerebral cause diretamente o transtorno.
O que ele propõe é uma possível troca evolutiva: mudanças vantajosas para nossos ancestrais podem ter aproximado determinadas células de um limite biológico no qual novas perturbações genéticas se tornam mais capazes de alterar o desenvolvimento neurológico.