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Homem que começou vendendo de porta em porta chegou a US$ 30 bilhões, foi o 7º mais rico do mundo e perdeu fortuna em 18 meses
Variedades 23/08, 09:07

Homem que começou vendendo de porta em porta chegou a US$ 30 bilhões, foi o 7º mais rico do mundo e perdeu fortuna em 18 meses

O empresário brasileiro aparecia em 7º lugar na lista mundial de bilionários da Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões.

Àquela altura, seu nome estava por trás de empresas de petróleo, mineração, energia, logística e indústria naval, enquanto projetos bilionários prometiam transformar o chamado “império X” em uma potência empresarial brasileira.

Ele já havia falado publicamente sobre o desejo de se tornar o homem mais rico do mundo. Naquele momento, a ambição podia parecer menos absurda do que parece hoje.

Seu patrimônio havia disparado, investidores internacionais compravam participações em seus negócios e suas empresas movimentavam bilhões na Bolsa.

Parecia difícil imaginar que aquele império pudesse desaparecer. Mas desapareceu.

Antes dos bilhões, havia um jovem vendendo seguros na Alemanha

Eike Fuhrken Batista da Silva nasceu em 3 de novembro de 1956, em Governador Valadares, Minas Gerais.

Seu pai, Eliezer Batista, foi presidente da Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale, e ministro de Minas e Energia durante o governo João Goulart. Por causa da carreira dele, a família passou parte da vida na Europa.

Aos 18 anos, Eike iniciou o curso de engenharia metalúrgica em Aachen, na Alemanha. Porém ele não terminou a graduação.

Quando os pais retornaram ao Brasil, ele permaneceu na Europa e começou a vender apólices de seguro de porta em porta para conseguir renda própria. Anos mais tarde, aquela experiência seria incorporada à narrativa do empresário sobre sua formação profissional.

O ouro abriu a primeira porta para a fortuna

No início da década de 1980, Eike voltou ao país e entrou no mercado de mineração.

Passou a negociar ouro na Amazônia e criou a Autram Aurem, empresa dedicada à compra e venda do metal. Seu negócio começou com US$ 500 mil emprestados e Eike dizia ter acumulado US$ 6 milhões em cerca de um ano e meio.

O jovem empresário avançou da comercialização para a exploração mineral e, ao longo dos anos seguintes, aprofundou sua relação com o mercado de capitais.

Eike começava a descobrir uma fórmula que usaria repetidamente nas décadas seguintes: identificar grandes projetos, atrair investidores, captar recursos e vender ao mercado a expectativa de negócios ainda maiores no futuro.

Até que surgiu a letra que passaria a acompanhá-lo por toda parte.

Um X no nome e uma promessa de multiplicação

A letra virou uma espécie de assinatura do empresário.

Vieram a MMX, de mineração; a OGX, de petróleo e gás; a LLX, de logística; a MPX, de energia; e a OSX, de indústria naval.

Juntas, formavam o coração do Grupo EBX. A ideia era construir um enorme ecossistema empresarial.

Uma companhia extrairia recursos naturais. Outra forneceria infraestrutura. Haveria geração de energia, construção naval e portos para movimentar a produção.

Bilhões começaram a entrar e Eike chegou ao topo

As empresas abriram capital e passaram a captar enormes volumes de recursos.

O valor das ações subia junto com as expectativas sobre projetos que, em muitos casos, ainda precisavam entregar aquilo que prometiam.

Quanto mais suas participações empresariais se valorizavam, mais rico Eike se tornava no papel.

Em março de 2012, veio o número que transformou definitivamente sua imagem pública: US$ 30 bilhões.

Era essa a fortuna calculada pela Forbes quando o colocou como a 7ª pessoa mais rica do planeta.

O petróleo que deveria multiplicar a fortuna começou a derrubá-la

A OGX era uma das grandes estrelas do grupo. A petroleira carregava expectativas enormes sobre reservas, produção e o potencial dos campos que explorava.

Boa parte da fortuna de Eike também dependia dela. No início de 2012, a OGX representava cerca de dois terços de seu patrimônio estimado pela Forbes.

Enquanto o mercado acreditava nas perspectivas da companhia, isso ajudava Eike a enriquecer.

Quando começaram as dúvidas, aconteceu o contrário.

Resultados de produção ficaram abaixo das expectativas. Projeções perderam credibilidade. Investidores começaram a abandonar as ações.

A empresa que havia ajudado a transformar Eike em um dos homens mais ricos do mundo começava a puxá-lo para baixo.

Primeiro desapareceram US$ 11 bilhões

Os sinais começaram a aparecer ainda em 2012.

Em junho daquele ano, apenas três meses depois de a Forbes calcular sua fortuna em US$ 30 bilhões, Eike já havia perdido mais de US$ 11 bilhões.

Seu patrimônio estimado havia recuado para US$ 18,7 bilhões. A principal responsável era justamente a OGX, cujas ações haviam sofrido forte desvalorização.

Ao longo dos meses seguintes, a situação da petroleira se deteriorou e atingiu as demais empresas do grupo.

A interdependência que fazia o império parecer tão poderoso nos tempos de expansão tornou-se um problema quando a confiança desapareceu.

Em 18 meses, os US$ 30 bilhões viraram menos de US$ 900 milhões

Setembro de 2013 marcou uma virada simbólica.

A Forbes retirou Eike Batista da lista de bilionários.

A revista calculou que seu patrimônio havia caído para menos de US$ 900 milhões, considerando também bilhões de dólares em empréstimos e obrigações.

Cerca de 18 meses separavam os dois números. E o pior ainda não havia terminado.

A joia do império não conseguiu pagar US$ 45 milhões

Em outubro de 2013, a OGX deixou de honrar um pagamento de US$ 45 milhões referente aos juros de títulos de dívida.

A empresa que poucos anos antes havia encantado investidores não conseguiu encontrar uma saída para evitar o calote.

No fim daquele mês, entrou em recuperação judicial.

Em setembro de 2014, Eike deu uma entrevista à Folha de S.Paulo e anunciou que seu patrimônio líquido estava negativo em US$ 1 bilhão.

A queda financeira, entretanto, ainda seria acompanhada por outro capítulo.

Depois da Bolsa, vieram os problemas com a Justiça

Nos anos seguintes, Eike passou a enfrentar investigações e processos judiciais.

Em janeiro de 2017, foi preso em um desdobramento da Operação Lava Jato. Entre os casos que chegaram à Justiça estavam acusações relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

O empresário também enfrentou processos relacionados ao mercado de capitais e firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal.

Sua trajetória judicial envolve diferentes ações, recursos e decisões, por isso cada processo precisa ser considerado separadamente.

A imagem pública, porém, já havia mudado completamente.

O empresário que estampava rankings de riqueza e anunciava megaprojetos passou a ser lembrado principalmente pela velocidade com que seu império desmoronou.

Quanto sobrou da fortuna de Eike Batista?

Quando Eike estava no auge, boa parte de seu patrimônio correspondia a participações em empresas negociadas na Bolsa. Era possível acompanhar o preço das ações e estimar quanto suas fatias valiam.

Hoje, essa estrutura não existe da mesma maneira.

Por isso, não há uma estimativa pública atual suficientemente confiável para afirmar que Eike possui determinada quantidade de milhões ou bilhões.

O que é possível dizer com segurança é que ele nunca recuperou o status de bilionário que possuía em 2012.

O homem que perdeu um império agora ensina empreendedorismo

A história ganhou uma nova ironia nos últimos anos.

Eike passou a usar justamente sua experiência empresarial, incluindo erros, acertos, ascensão e queda, como parte de sua nova atuação profissional.

Ele voltou a falar sobre empreendedorismo e passou a oferecer mentorias a empresários.

Aquele que um dia captou bilhões no mercado e depois assistiu ao próprio conglomerado desmoronar tenta transformar essa experiência em conhecimento a ser vendido a outros empreendedores.

Ao mesmo tempo, seu nome voltou a aparecer associado a novos projetos.

A diferença é que, desta vez, o cenário é muito distante daquele de 2012.

Não há um conglomerado de empresas X dominando o noticiário econômico nem uma fortuna de dezenas de bilhões crescendo na Bolsa.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/variedades/homem-que-comecou-vendendo-de-porta-em-porta-chegou-a-us-30-bilhoes-foi-o-7o-mais-rico-do-mundo-e-perdeu-fortuna-em-18-meses/

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