A nova passagem de Elton John pelo Brasil encerra uma espera de nove anos. No palco do Rock in Rio, o astro britânico reafirma a força de sua conexão com o público brasileiro. Desse modo, o cantor prova mais uma vez que seu repertório atemporal atravessa gerações.
Nesse contexto, revisitar os marcoas de sua discografia é fundamental. Entre eles, Goodbye Yellow Brick Road desponta como sua obra-prima máxima. Gravado na França por acidente e lançado no ápice criativo do artista, o sétimo álbum da carreira do astro redefiniu os rumos do pop rock mundial. Além disso, o trabalho consolidou o músico como uma lenda definitiva dos palcos e das paradas de sucesso.
A fuga tropical para a Jamaica e o nascimento das composições
A ideia de Goodbye Yellow Brick Road nasceu de uma tentativa frustrada de fuga tropical. Em 1973, Elton John estava exausto dos altos impostos britânicos e da pressão que era imposta na época. Assim, nasceu o plano de se isolar com seu letrista, Bernie Taupin, e sua banda em Kingston, na Jamaica.
No papel, o cantor iria se manter com sua equipe no Dynamic Sound Studios para escrever e gravar o disco. Taupin levou apenas duas semanas e meia para redigir todas as letras do álbum. Enquanto isso, Elton criava as melodias no piano do hotel em que se hospedava.
O disco possuía o título provisório de Silent Movies and Talking Pictures. Desse modo, o trabalho ganhou forte influência do cinema e da cultura estadunidense clássica.
Do caos na Jamaica à consagração no castelo francês
No entanto, ao chegar ao estúdio na Jamaica, o plano desmoronou. O local estava em péssimas condições e a cidade enfrentava forte tensão social com protestos violentos. Para piorar o cenário, a logística local estava paralisada devido à histórica luta de boxe entre Joe Frazier e George Foreman.
Com medo pela segurança da equipe e frustrado com a péssima qualidade de som, o produtor Gus Dudgeon decidiu abortar as sessões. Nenhuma faixa chegou a ser gravada no país caribenho.
Dessa forma, Elton John retornou para um território familiar carregando um arsenal de composições prontas na bagagem. Ao desembarcar no Château d’Hérouville, castelo francês convertido em estúdio residencial, a inspiração fluiu com velocidade impressionante.
Toda a banda, além do próprio cantor, entrou em ritmo frenético de produção. Em apenas 16 dias, o grupo finalizou 17 faixas completas. O volume de canções de alto nível foi tamanho que Gus Dudgeon considerou um desperdício descartar qualquer música. Assim, o projeto se transformou oficialmente em um álbum duplo.
Uma viagem eclética por todos os gêneros dos anos 1970
Goodbye Yellow Brick Road é descrito por críticos e fãs como uma verdadeira enciclopédia do pop rock setentista. O projeto é musicalmente brilhante porque Elton John e Gus Dudgeon transitaram pelos principais gêneros da época sem perder a identidade.
Ao longo das 17 faixas, encontra-se uma mistura equilibrada de rock progressivo, reggae, hard rock e pop barroco. Além disso, o piano funciona como o verdadeiro coração das produções, e não apenas como um instrumento de acompanhamento.
Em faixas como “Bennie and the Jets”, por exemplo, o piano é utilizado de forma pesada e percussiva. Já na faixa-título, o arranjo soa muito mais dramático, reflexo direto da sólida formação erudita do cantor britânico.
Desse modo, a canção resume a essência do piano clássico aplicado ao pop. Dê o play abaixo para ouvir e relembrar “Goodbye Yellow Brick Road”:
A obra-prima que segue como o coração dos grandes shows
Cinquenta anos após o seu lançamento, Goodbye Yellow Brick Road permanece como o ápice da genialidade de Elton John. O trabalho desafiou as convenções comerciais da época e se transformou em um dos discos duplos mais vendidos e aclamados de todos os tempos.
Assim, quando o público brasileiro canta cada verso a plenos pulmões nos grandes festivais, testemunha o poder de uma obra imortal. O repertório esculpido naquele castelo francês segue vivo, provando que o caminho de tijolos amarelos de Elton John continua sendo a estrada mais brilhante da história do pop rock.
Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/variedades/goodbye-yellow-brick-road-elton-john-historia/