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Estudo sobre hepatites virais traça panorama da doença em onze anos
Saúde 03/08, 16:31

Estudo sobre hepatites virais traça panorama da doença em onze anos

Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita analisaram 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais no Brasil.

A pesquisa faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido pelo Einstein no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

O objetivo é gerar conhecimento para fortalecer estratégias de prevenção e cuidado que possam contribuir para que o Brasil alcance a meta de eliminar as hepatites virais até 2030.

O estudo foi publicado na revista científica internacional PLOS ONE.

Foram analisados dados referentes a todas as hepatites virais: A, B, C, D e E.

“Em geral, as pessoas pensam mais nas hepatites B e C, porque são, de fato, bem frequentes e, além de hepatites agudas, elas são, com frequência, hepatites crônicas”, disse nesta segunda-feira (3) à Agência Brasil o coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, médico do Departamento de Patologia Clínica do Einstein.

Hepatite A

A hepatite A, por exemplo, é uma hepatite aguda, mas que pode ter casos graves. Trata-se de uma hepatite que pode ser evitada pela vacinação. Pinho ressaltou, entretanto, que a hepatite A voltou ao Brasil, principalmente transmitida por homens.

“É uma nova forma de contato que foi reconhecida, que é o contato oral/anal, ou seja, na hora de fazer sexo, pessoas acabam se contaminando com material anal e com o vírus.

Isso fez com que essa doença voltasse a se manifestar na população brasileira em geral”.

Segundo o especialista, a doença começou nos grupos de homens que fazem sexo com outros homens, mas logo se espalhou para todas as populações não vacinadas.

"Então, em relação à hepatite A, é importante ressaltar a importância da vacinação, porque tem mulheres que fazem também sexo oral/anal. Elas também estão sujeitas a esse tipo de hepatite”.

Por outro lado, ele descartou que a doença seja transmitida de pessoa a pessoa pela pele, por exemplo. O contágio de pessoa a pessoa é mais difícil, precisa ser um contato íntimo.

"Na verdade, a forma mais comum de contaminação pelo vírus da hepatite A é por via alimentar, ou seja, por água contaminada ou alimentos contaminados”.

A nova forma que foi descrita nos últimos 10 anos quando esses vírus se espalharam pelo mundo ocorreu, principalmente, por conta desse comportamento sexual. Mas não passa de pessoa a pessoa, como o vírus da Covid-19, afirmou o médico.

“Só passa se a pessoa for ao banheiro, sujar a mão e cumprimentar outra pessoa”.

No contato familiar intenso, contudo, Rebello Pinho admitiu que pode ocorrer contágio. Uma criança que pega hepatite A tem mais facilidade de passar para outras pessoas porque tem todos os cuidados higiênicos dos pais para elas.

Não há, entretanto, risco de transmissão de hepatite por contato pessoal no ônibus, no trânsito, na rua. “Isso não vai acontecer. Precisa ser um contato muito íntimo mesmo”.

Por regiões, a hepatite A, de transmissão oral/fecal, ocorre muito na região amazônica e nas regiões Norte e Nordeste. “Ela ainda é frequente nessas regiões, exceto quando são homens maiores de 18 anos, que nós encontramos muitos casos de hepatite A na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, devido a esse fenômeno de comportamento sexual e à falta de vacinação que ainda não é gratuita para quem tem mais de 18 anos”.

Hepatites B e C

Nas hepatites B e C, a principal forma de contato é sexual. Mas também o contato com sangue ou produtos sanguíneos, principalmente o uso de drogas endovenosas, pode transmitir as hepatites B e C.

Outra forma importante de transmissão é a de mãe para filho durante a gestação e o parto. Rebello Pinho salientou que o Brasil, inclusive, controla muito bem a hepatite B e já controlou a transmissão hepatite B e do HIV de mãe para filho.

“É uma coisa muito rara de acontecer atualmente”.

Rebello Pinho Enfatizou a existência de vacina contra a…

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/estudo-sobre-hepatites-virais-traca-panorama-da-doenca-em-onze-anos

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