Um avião Airbus A300 que passou décadas voando terminou sua última viagem de um jeito pouco comum: afundou lentamente até o fundo do Mar Egeu, na Turquia. Porém, desta vez, o pouso foi planejado para durar para sempre.
Em vez de terminar a aposentadoria desmontado como sucata, ele foi comprado pelas autoridades de Aydın por cerca de US$ 93 mil na época, para ser transformado em um recife artificial. A obra inusitada tinha duas funções: turística e ambiental.
Veja fotos do avião:
Um mergulho pelo cockpit
Hoje, quem mergulha até o A300 não precisa observá-lo apenas por fora. O avião permanece a cerca de 20 a 22 metros de profundidade, e operadores de mergulho de Kuşadası realizam percursos que permitem atravessar partes da fuselagem e chegar até o cockpit.
A experiência conserva elementos familiares de um avião, mas em um cenário completamente diferente. O A300 possui três portas de cada lado, enquanto peixes circulam por aberturas e pelo antigo interior da aeronave.
Entrar no avião, porém, não é um passeio para iniciantes. A PADI indica formação avançada como treinamento útil para o local, enquanto operadores exigem certificação de mergulho compatível e realizam a atividade com instrutores, já que penetrar uma estrutura submersa envolve riscos diferentes de permanecer em águas abertas.
Assista a um vídeo do avião sendo afundado:
Fundo virou destino
Antes de 2016, a faixa de fundo marinho escolhida para receber o Airbus nem sequer era um ponto habitual de mergulho. O instrutor Tağmaç Saraçoğlu contou à Anadolu Agency que praticamente não havia mergulhadores naquela área antes de o avião chegar.
Quatro anos depois, o cenário já era outro. Uma expedição registrada em 2020 encontrou cardumes circulando dentro e ao redor da fuselagem, além de congros, caranguejos e outros animais. O avião também passou a atrair fotógrafos submarinos interessados na combinação incomum entre a estrutura metálica e a vida marinha.
A transformação lembra como estruturas submersas podem criar novos pontos de mergulho: no litoral de São Paulo, por exemplo, a embarcação Moreia também foi afundada artificialmente e hoje integra um roteiro visitado por mergulhadores.