Entre Los Angeles e Las Vegas, o Passo de Cajon concentra uma combinação que preocupa especialistas: duas das principais falhas geológicas da Califórnia e uma das mais importantes redes de infraestrutura do estado.
Um novo estudo, publicado em junho no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, aponta que a tensão acumulada em alguns trechos das falhas de San Andreas e San Jacinto atingiu níveis comparáveis ou superiores aos registrados nos últimos mil anos.
Os pesquisadores utilizaram modelos geofísicos para analisar a chamada tensão de Coulomb e concluíram que o Passo de Cajon pode funcionar como um “portal” para a propagação de terremotos. Uma ruptura poderia permanecer em uma única falha ou avançar de um sistema para o outro.
Risco de terremoto de grande magnitude
O estudo não prevê quando um terremoto ocorrerá, mas indica que um eventual evento na região poderia alcançar magnitude próxima de 7,5.
O risco preocupa principalmente pela infraestrutura existente no local. Cerca de 160 mil veículos atravessam diariamente a região, que também abriga ferrovias, gasodutos, linhas de energia, aquedutos e cabos de fibra óptica.
Em um cenário de magnitude 7,8 elaborado pelo modelo ShakeOut, um terremoto poderia provocar cerca de 1.800 mortes, 50 mil feridos e US$ 213 bilhões em prejuízos.
Além dos danos às rodovias e ferrovias, os tremores poderiam romper gasodutos, derrubar linhas de transmissão e provocar deslizamentos de terra, comprometendo serviços essenciais.
Região concentra tensão há milhões de anos
O Passo de Cajon se encontra em uma área moldada pela movimentação das placas do Pacífico e da América do Norte. Ao longo de milhões de anos, esse processo criou e modificou diferentes sistemas de falhas, entre eles San Andreas e San Jacinto.
Agora, os pesquisadores buscam entender como essas estruturas podem interagir durante um grande terremoto.
“Este terremoto é inevitável. Só não sabemos exatamente quando”, afirmou Lucy Jones, ex-sismóloga do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Enquanto isso, autoridades e empresas trabalham para reduzir os impactos. A Southern California Edison investiu cerca de US$ 300 milhões em reforços sísmicos entre 2016 e 2025, enquanto a SoCalGas instalou válvulas automáticas em gasodutos que atravessam o Passo de Cajon.
Apesar das medidas, especialistas ressaltam que parte do risco não pode ser eliminada. Por isso, além de reforçar estruturas, a preparação para uma eventual emergência continua sendo essencial.