Alexandre Costa começou a Cacau Show aos 17 anos, com uma encomenda de ovos de Páscoa que ninguém queria produzir. Uma fornecedora da mãe dele não conseguiu entregar 2 mil ovos de 50 gramas, e o jovem decidiu encarar o desafio. Sem fábrica, sem experiência e sem capital, ele comprou a matéria-prima, produziu os chocolates à mão com a ajuda de uma vizinha e vendeu tudo. Por isso, a frase que ele repete até hoje carrega um peso enorme: “É uma típica história do empreendedor brasileiro. Com poucos recursos, colocando a mão na massa e com US$ 500 emprestados do meu tio.”
Do improviso ao império
A história não parou naquela Páscoa de 1988. Alexandre transformou aquele começo improvisado na maior rede de chocolates finos do mundo. Hoje, a Cacau Show soma mais de 4.700 lojas, sendo 90% franquias, e cerca de 240 mil revendedoras. Além disso, o grupo cresceu para muito além do chocolate. A empresa opera hotéis, miniparques temáticos e uma fazenda de cacau própria em Linhares, no Espírito Santo, chamada Dedo de Deus. Na prática, o jovem que começou com US$ 500 emprestados virou dono de um império bilionário.
Os projetos atuais e futuros mostram a ambição de Ale Costa. O grande destaque é o Cacau Park, um parque de diversões completo em Itu, no interior de São Paulo, com investimento de R$ 2 bilhões. O empreendimento promete a maior montanha-russa da América Latina, trilhas no meio da floresta e vilas temáticas. A previsão é abrir em 2027. Além disso, a empresa busca a autossuficiência em cacau, plantando variedades próprias e alcançando quase 3 toneladas por hectare, seis vezes a média mundial. Dessa forma, o grupo se verticaliza e controla toda a cadeia.
O que a frase realmente significa
A frase de Ale Costa não é só uma lembrança do passado. Ela carrega uma lição profunda sobre como o brasileiro constrói negócios. O primeiro elemento é a escassez como ponto de partida. Ele não esperou ter dinheiro, estrutura ou segurança para começar. Afinal, se dependesse das condições ideais, talvez nunca tivesse saído do papel. O que ele tinha era um problema para resolver e a vontade de resolver.
O segundo elemento é a mão na massa. Não existe atalho, não existe fórmula mágica. Ale Costa produziu os ovos com as próprias mãos, aprendeu na prática e sujou as mãos de chocolate. Por isso, a frase valoriza o trabalho árduo e a dedicação real, em vez de depender de sorte ou de capital. No fim das contas, é a execução que separa quem sonha de quem realiza.
O terceiro elemento é a confiança e a rede de apoio. Os US$ 500 vieram do tio, alguém que acreditou nele. Isso mostra que o empreendedor brasileiro raramente constrói sozinho. Ele conta com a família, com amigos, com uma rede que aposta no potencial antes de qualquer garantia. Além disso, a frase revela humildade: Ale Costa reconhece que não chegou lá sozinho e que a ajuda inicial fez toda a diferença.
Uma lição para todo mundo
A importância dessa frase vai além do mundo dos negócios. Ela serve para qualquer pessoa que tem um sonho e trava na hora de começar. Quantas vezes a gente adia um projeto porque acha que falta dinheiro, que falta tempo, que falta experiência? A história de Ale Costa mostra que o essencial é dar o primeiro passo, mesmo com recursos mínimos. O resto se ajusta no caminho.
Vale lembrar que a trajetória dele também ensina sobre resiliência. A Cacau Show enfrentou crises, a fazenda de cacau chegou a perder tudo e foi replantada, e mesmo assim o empresário seguiu em frente. Por isso, a frase “se jogue na vida que ela vai te devolver em dobro” caminha lado a lado com a história dos US$ 500. As duas se completam: comece com o que você tem, trabalhe duro e confie no processo.
No fim das contas, a frase de Ale Costa resume a alma do empreendedor brasileiro. Ele não esperou as condições perfeitas, colocou a mão na massa e contou com quem acreditou nele. Por isso, a história ressoa com tanta gente: porque mostra que um começo humilde não define o tamanho do destino. O que define é a coragem de começar e a dedicação de seguir em frente, um chocolate de cada vez.