Tom Place tinha 18 anos quando realizou um sonho que vinha sendo construído desde a infância: comprar um Rolex. Em 1996, o jovem gastou todas as suas economias, US$ 3.100, em um Rolex Submariner Date 16610. Em conversão nominal pela cotação atual, a quantia corresponde a cerca de R$ 15,9 mil. Naquele verão, porém, o relógio desapareceu no fundo do Trout Lake, em Nova York, e três décadas depois continua sem ser encontrado.
A perda aconteceu durante um salto de lancha. O fecho do Submariner se soltou enquanto Place caía na água, fazendo o relógio desaparecer em uma região com mais de 24 metros de profundidade e pouca visibilidade. Desde 2020, quando retomou as buscas de forma sistemática, ele já acumulou cerca de 60 horas de mergulho tentando recuperar a mesma peça que comprou aos 18 anos.
Dublê de Hollywood perde Rolex durante um salto de lancha
Na época, os US$ 3.100 representavam todas as economias que o jovem havia conseguido juntar.
A escolha do modelo também tinha um significado familiar.
O pai de Place havia comprado dois Rolex no fim dos anos 1970, um para ele e outro para a esposa. Durante a infância, Tom se acostumou a ver o pai usando o relógio em praticamente qualquer situação, inclusive durante mergulhos.
Quando completou 18 anos, decidiu seguir o mesmo caminho.
Place foi até uma joalheria na Flórida e gastou os US$ 3.100 no Submariner Date 16610. Ele poderia ter escolhido alternativas mais baratas, mas preferiu o modelo da Rolex que considerava mais adequado à sua personalidade e à atividade física que já fazia parte de sua rotina.
Poucos meses depois, o relógio estava no fundo de um lago.
Naquele verão, Place e o irmão utilizavam a lancha da família para praticar uma atividade criada pelos dois, chamada de “power jumping”. A brincadeira envolvia correr pelo convés e saltar na água realizando manobras.
Durante um dos saltos, o pé de Place escorregou no convés molhado.
O movimento fez com que o bracelete do Rolex ficasse preso ao corrimão. O fecho acabou se soltando e o relógio foi lançado para o lado oposto enquanto Place caía na água.
Dublê tentou recuperar o Rolex logo depois da perda
A primeira tentativa aconteceu praticamente na mesma época do acidente.
Place mergulhou no Trout Lake para tentar localizar o relógio, mas encontrou um ambiente muito diferente do que seria necessário para uma busca simples. A água tinha pouca visibilidade, enquanto o fundo era coberto por vegetação, pedras e sedimentos.
Um vizinho então apresentou uma alternativa: um grande ímã industrial.
Durante aproximadamente uma semana, Place passou horas tentando vasculhar o fundo do lago com o equipamento preso a uma corda. O ímã conseguia recolher diferentes materiais metálicos, mas o Rolex não apareceu.
Depois de várias tentativas frustradas, ele desistiu.
A hipótese era de que o Submariner tivesse afundado na lama ou ficado escondido entre a vegetação. Com o passar dos anos, Place praticamente aceitou que nunca mais veria o relógio.
O jovem que havia acabado de gastar todas as economias em um Rolex se tornou profissional da indústria cinematográfica e trabalhou como dublê e coordenador de cenas de ação em grandes produções de Hollywood.
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Em 2020, dublê de Hollywood transformou a busca em uma expedição
Quase 24 anos depois da perda, a procura ganhou uma nova fase.
Em 2020, durante a paralisação provocada pela pandemia de Covid-19, parte da indústria cinematográfica ficou sem atividades. Place aproveitou o período para voltar ao lago e reorganizar a busca.
Desta vez, ele tinha uma estratégia muito mais precisa.
O dublê passou a utilizar equipamentos profissionais de mergulho e detector de metais subaquático. Em vez de simplesmente procurar pelo relógio em uma área ampla, começou a dividir a região em pequenas zonas e a examiná-las sistematicamente.
A cada mergulho, Place utiliza uma marcação para definir o centro da área que será investigada. Depois, percorre o fundo em um raio determinado, verificando pedras, vegetação e sedimentos em busca de qualquer sinal metálico.
Durante uma sessão de aproximadamente 45 minutos, ele consegue investigar apenas uma pequena área do fundo. Em seis anos de buscas retomadas, o esforço acumulado chegou a cerca de 60 horas de mergulho.
60 horas de mergulho renderam pneus, latas e até uma âncora
O detector de metais já encontrou diversos objetos durante as expedições.
Entre eles estão pneus, latas de cerveja, anzóis e outros materiais metálicos que foram abandonados no lago ao longo das décadas. Em uma das buscas, Place chegou a encontrar uma âncora.
O Rolex, entretanto, continua desaparecido.
A dificuldade não está apenas na profundidade.
A movimentação dos mergulhadores levanta o lodo do fundo e reduz ainda mais a visibilidade. Em determinados momentos, Place praticamente só consegue enxergar a ponta do detector de metais enquanto avança pela área de busca.
Por isso, as 60 horas debaixo d’água não significam 60 horas procurando em exatamente o mesmo ponto. O trabalho consiste em avançar lentamente por pequenas áreas, registrando os locais já examinados e reduzindo gradualmente a região onde o Rolex pode estar escondido.